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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

ACASALAMENTO CONSANGUÍNEOS


Revista COPC-2001-V.Exposiçăo
Arquivo Editado em 17/07/2001

A utilizaçăo de consangüíneos é uma prática comumente utilizada na apuraçăo ou aperfeiçoamento de todos os animais, criados pelo homem. Normalmente os machos de qualidade excepcionais săo utilizados para e acasalamentos consangüíneos criar famílias onde se tem por objetivo incluir em todos os seus componentes as qualidades do citado reprodutor.

Com cavalos das diversas raças, gado vacum, porcos, mamíferos em geral e aves, tal prática foi intensamente utilizada pelos grandes criadores do passado mesmo sem conhecimentos de genética, que hoje já bastante desenvolvida torna fácil comprovar a eficięncia deste processo.

Em todos os centros ornitológicos tal prática é bastante difundida, mas no Brasil, năo sé se tira proveito destes acasalamentos como também evita-se por desconhecimento e até por preconceitos religiosos.

Em canaricultura no que se refere aos canários de porte tal prática só trará benefícios, mas os criadores ainda năo a aceitam, olhando apenas o lado deficiente do processo, esquecendo de que muitas vezes os acasalamentos entre pássaros năo consangüíneos resultam em completa desilusăo.

Quantos criadores, gastaram somas fabulosas adquirindo campeőes, acasalando-os e obtendo apenas filhotes medíocres?

O motivo principal a nosso ver, porém é simplesmente a ânsia de obter de primeira temporada, isto é, da maneira mais rápida possível, pássaros de qualidade, o que na maioria das vezes năo acontece.

A utilizaçăo dos acasalamentos consangüíneos requer além de conhecimentos, pacięncia e perseverança, mas os resultados após alguns anos compensam o tempo perdido, a proporcionarem aos verdadeiros amadores a satisfaçăo de ter criado uma família onde a totalidade dos componentes apresentam as características do Standard da raça.

Porque a vantagem de tais acasalamentos> A genética nos responde.

Hoje sabemos que cada espécie animal tem uma característica que é o número de cromossomos de suas células.

Nossos canários possuem 9 (nove) pares de cromossomos maiores (macrocromossomos) e um número indefinido de pares de microcromossomos. Cada um destes cromossomos possui genes que săo os responsáveis pela expressăo das características dos indivíduos, como acontece com os diversos genes que comandam as cores dos canários, hoje já bastante difundidos.

Por ocasiăo da divisăo celular que antecede a formaçăo dos gametas masculinos (espermatozóides) e feminino (óvulo) os pares cromossomos se separam e assim cada gameta, em uma explicaçăo simplificada, possui apenas a metade do número de cromossomos da célula original.

Assim sendo, cada novo indivíduo recebe ao se formar um conjunto de cromossomas do pai e outro da măe e assim no novo ser é restabelecido o número de cromossomos da espécie.

Neste novo ser, os pares de cromossomas săo reconstituídos e de acordo a predominância ou năo entre genes para uma mesma característica esta poderá se expressar ou năo.

A antiga e ainda usada expressăo “meio sangue” significa em termos reais que o indivíduo possui metade dos cromossomas, por exemplo de seu pai, um puro sangue e metade correspondente a herdada de sua măe sem as características da raça considerada.

Cada característica é comandada por um gen ou genes e, em um canário além dos genes que determinam a cor que apresentará o pássaro, outros há que determinam seu tamanho, a forma de sua cabeça, tamanho do bico, posicionamento da perna e um sem número de características que definem um pássaro de determinada raça ou cor.

É preciso esclarecer, porém, que a metade dos genes herdada de um reprodutor se refere ao número de cromossomos e que somente em indivíduos homozigotos para todas as características (caso pouco provável em canário de porte) todos os gametas serăo idęnticos. O que normalmente acontece é que os indivíduos năo săo homozigotos e nada impede que um pássaro excelente, possua em seu patrimônio genético, características deficientes recessivas que serăo transmitidas a seus descendentes.

Se acasalamos um pássaro excepcional a um de suas filhas de boas características, as chances de produzir pássaros semelhantes ao reprodutor original é muito maior do que se utilizar-mos uma fęmea năo relacionada com ele, pois sua filha possui em suas células metade dos cromossomos do seu pai, tornando mais fácil a reconstituiçăo do patrimônio genético original do reprodutor em alguns dos filhotes.

De modo idęntico que as características que definem a raça a saúde, robustez, fertilidade e outras podem ser manipuladas de modo a se conseguir melhorar ou manter tais funçőes.

Dentre os acasalamentos consangüíneos podemos distinguir dois processos: INBREEDING, onde os acasalamentos săo feitos entre parentes próximos por exemplo, pai x filha, măe x filho, meio-irmăo x meio-irmăo, avô x neta etc...

LINE-BREEDING, onde os acasalamentos săo feitos entre parentescos mais afastados.

IN BREED TO SUCESS.

Com este título o articulista de Cage and Aviary Birds, Brian Biles publica excelente artigo sobre o sucessoobtido pelo Dr A.R.Robertson, de Durban, África do Sul, na criaçăo de periquitos australianos.

Os comentários do articulista inglęs, fotografias dos pássaros e referęncias de outros criadores năo deixam dúvidas quanto a qualidade dos ondulados do Dr Robertson, considerados tăo bom ou até melhores que os melhores periquitos ingleses.

Utilizando como guia um pequeno livro INBREEDING BUDGERIGARDS, de autoria do Dr M.D.S. Armour, publicado após a 2a (segunda) Guerra Mundial e conhecimentos de genética que possuiu, desenvolveu seus programas e este ano recusou por um dos pássaros a soma de 1.000,00 (mil libras) preço considerado lá extraordinário.

Seus pássaros săo mantidos em famílias ou linhas e os acasalamentos feitos de acordo com as características visuais dos pássaros e seus pedigrees.

Seu plantel é todo relacionado e se levarmos em consideraçăo que de 1969 a 1979 foi proibida a importaçăo de psitacídeos na África, o grau de relacionamento é bastante aproximado.

Segundo i autor do artigo, dificilmente introduz pássaros năo relacionados no plantel e uqnado o faz é através de um macho, de boas características que no primeiro ano é acasalado com duas ou mais fęmeas.

No segundo ano utiliza o macho com duas ou tręs fęmeas de suas melhores filhas ao mesmo tempo que acasala vários pares de meio-irmăos. Destes acasalamentos já consegue 30% (trinta por cento) de pássaros de qualidade tăo boas ou superiores ao reprodutor inicial.

No terceiro ano os melhores filhotes do reprodutor săo acasalados aos melhores dos acasalamentos entre os meios irmăos e o reprodutor original a duas de suas melhores netas e a parcela do pássaro de qualidade ultrapassada já aos 50% (cinqüenta por cento).

Outro ponto importante do artigo é que a cada indivíduo excepcional que surge uma nova família é iniciada tendo este como fundador e o mesmo processo desenvolvido paralelamente.

Ŕ atuaçăo deste criador, como acontece com grande freqüęncia fora de nosso país, no que se refere ŕs aves, é um dos muitos que podem seer citados como exemplo dos acasalamentos consangüíneos para melhorar as características de uma variedade.

Os resultados năo săo imediatos. Mas observadas as regras e uma seleçăo apurada, em tręs ou quatro temporadas no máximo, o criador poderá tornar seu plantel homogęneo para as características do reprodutor inicial.

Os acasalamentos consangüíneos podem nos conduzir a resultados excelnetes desde que sejam feitos judiciosamente. Tentar utiliza-los com pássaros que possuem características indesejáveis é simplesmente perda de tempo

Ágata Topázio