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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Preparação dos Canarios de Cor para Criação

R.Rousseau - Bélgica
O período de criação de canários é uma época de exaltação para o criador, mesmo para aqueles que têm contratempos.
Antes da procriação são desenvolvidas atividades incomuns, o conjunto de gaiolas e de viveiros necessitam ser lavados e desinfetados, selecionam-se cuidadosamente os casais e todo e qualquer outro tipo de preparativo julgado necessário pelo criador é realizado.
Os resultados obtidos são frequentemente parcos em relação aos esforços dispendidos, pois numerosos são os problemas que aniquilam frequentemente os mais belos exemplares; ovos não fecundados, filhotes mortos no ovo,ou após dois ou três dias de vida, etc....
Na maioria dos casos o criador pode encontrar a razão para tal e ouvir então: «minhas fêmeas não alimentam», «o clima é impróprio», quando não é a ração que é colocada sob suspeita, ou qualquer outra coisa.
Ao contrário, o que ouviremos raramente é um criador admitir ser o único responsável de seu fracasso. Jamais nos esqueçamos que na natureza o instinto das aves faz com que procurem aquilo de que têm necessidade para criar seus filhotes e que todo o ser vivo nasceu para se reproduzir.
Nas criações nossos pássaros deveriam sempre se contentar com o que colocamos às suas disposições. Seguindo este raciocínio, deveremos preparar as aves para a criação da maneira mais adequada possível. Criando cedo (julho, no Brasil), ou um pouco mais tarde no sul (setembro- outubro), a preparação dos pássaros deve começar dois meses antes de colocar as fêmeas nas criadeiras.
A seleção dos reprodutores será mais fácil se entre a separação dos filhotes e a escolha dos futuros reprodutores, seus pássaros forem beneficiados por um programa de cuidados o qual abordaremos posteriormente. Para machos e fêmeas, desde a separação até o acasalamento.
Três pontos devem merecer toda a nossa atenção: as vias respiratórias, o aparelho intestinal e os órgãos genitais.
1° - RESPIRAÇÃO
Dois meses antes de colocar os pássaros em gaiolas criadeiras, deveremos nos preocupar com suas vias respiratórias. Uma ave que tem problema a este respeito, mesmo que pequeno, raramente terá resultados satisfatórios. Como não podemos auscultar a todas, aquelas que forem escolhidas para a reprodução serão objeto de um tratamento de cinco dias.
Utilizamos o Tylan(r) em pó. Este produto deve obrigatoriamente ser administrado dois meses antes da colocação das fêmeas para a procriação. A dose preventiva é uma colher das de café diluída em um litro d'água. Esta dose é suficiente porque há duas outras épocas do ano em que igualmente nos preocuparemos com este problema. Se você tiver realmente este problema, poderá dobrar a dose. Outros produtos também são bons, já experimentamos muitos, mas, tal como muitos amigos, sempre voltamos a esse.
2° - APARELHO INTESTINAL
Todos os nossos pássaros são portadores de coccídeos. Quando a concentração de dez mil coccídeos por grama for ultrapassada os pássaros ficam doentes. Se o número se situar entre 5 e 10 mil, os pássaros parecem estar com boa saúde, entretanto os filhotes não resistirão. Para ter um desenvolvimento harmonioso de um filhote, é preciso que os excrementos de seus pais contenham menos do que 5 mil coccídeos por grama.
Como fazer? Substâncias cocidiostáticas não faltam:
Coccidex(r), Whitsyns(r), S'Mez(r) (N.do T. – produtos comerciais na Bélgica) e tantos outros produtos poderão ser aconselhados por seus farmacêuticos ou veterinários. A posologia informará sobre a dose a ser administrada. A experiência nos ensinou que 5 dias, pelo menos, de dose preventiva evitará de realizar controle dos excrementos dos pássaros. Não esqueça jamais que pássaros com aparente boa saúde têm necessidade deste tratamento, que deve ser efetuado dois meses antes de se colocar as fêmeas em gaiolas criadeiras.
3° - ÓRGÃOS GENITAIS
Os diferentes conselhos nos foram dados pelo veterinário presidente de honra de um Clube de Canários de Cor.
Nossos pássaros têm ao nível do aparelho genital o que chamamos de germes banais. O termo banal nos parece adequado porque eles parecem não afetar o comportamento do pássaro. Infelizmente esses germes banais são a causa de ovos não eclodidos e de mortes nos primeiros dias. Não se esqueça que a fêmea vê coisas que não vemos. Ela não alimentará um filhote doente.
Esta teoria foi verificada muitas vezes. Criadores tendo problemas no começo de criação fizeram um tratamento contra germes banais e a sequência se desenvolveu normalmente. Infelizmente não posso indicar um produto, pois trata-se de uma preparação a ser obtida com o auxílio de um veterinário. Estou, entretanto, persuadido que se for colocado o problema para um veterinário ele poderá ajudar.
Não tenha medo quanto a dose, pois dobraremos aquela que o presidente de honra, já mencionado, sugere e a administramos durante 5 ou 6 dias que antecedem a colocação de nossas fêmeas nas gaiolas criadeiras.
Neste momento poderíamos dizer que nossas fêmeas estão isoladas e receberam o que precisavam. Estamos tranquilos, isto é verdade, mas ao assegurarmos a sobrevivência de nossos filhotes não solucionaremos o problema de ovos não fecundados e de outros contratempos que podem aparecer. Por exemplo, piolhos nos ninhos, penas arrancadas, etc.
Entretanto, naquilo que nos concerne, obtemos regularmente 7 ou 8 filhotes em média por casal, em duas ninhadas.
Estejam convencidos que é tão fácil criar um belo pássaro como um de pouco valor. Isto não significa que outros métodos não sejam válidos. Estes aqui têm o mérito de terem sido utilizados durante numerosos anos com resultados conhecidos.
A PREPARAÇÃO DO NINHO; A OVOPOSTURA No momento que instalamos as fêmeas nas suas novas moradas, duas coisas devem reter nossa atenção:
Primeiro a criadeira deve estar completa, os acessórios para a comida e bebida devem estar lá, sobretudo o ninho. Você notará que se o ninho for introduzido uma ou duas semanas depois frequentemente a fêmea vai se assustar com este novo objeto colocado na gaiola, sobretudo quando o ninho deve ser encontrado no interior da gaiola.
O ninho, seja de plástico ou de cerâmica, deve ser pulverizado 24 horas antes com Baygon(r) verde, um produto da Bayer (vendido em farmácias). Você estará tranquilo por dois meses e protegido de todo inseto. É preciso recomeçar a operação uma segunda vez, assim que os filhotes deixarem a criação.
Como material utilize o sisal, o seu fabricante pode ter restos, daí nada custarão. Estas cordas deverão ser cortadas em pedaços de 5 ou 6 cm e desfiadas. Elas se adequarão perfeitamente aos pássaros.
Antes de colocar a fêmea na criadeira é hora de lhe cortar a ponta das unhas e de desnudar a cloaca com tesoura, sobretudo para canários nevados.
Por que cortar as unhas? Porque nas ninhadas de 4 ou 5 filhotes estes formam uma bola sedosa. Se a fêmea estiver um pouco assustada e sair bruscamente do ninho, ela pode com as unhas bem pontudas carregar um filhote com ela e derrubá-lo no fundo da gaiola. Se isto acontecer um pouco antes do final do dia, na manhã seguinte, quando você o encontrar, será evidentemente muito tarde. Se este acidente acontecer durante o dia e você descobrir relativamente cedo, coloque o filhote na palma da mão e sopre-o com ar quente. Frequentemente você recupera a vítima. Com as unhas da fêmea cortadas este problema é muito raro acontecer.
Desnudar a cloaca evitará que os machos eliminem o esperma nas penas e, conseqüentemente, os ovos não serão fecundados. Os machos devem ter o mesmo tratamento pelas mesmas razões que as fêmeas e o fato de que o macho com as unhas muito pontudas pode ferir a fêmea na hora da fecundação, esta se esquiva e você terá novamente ovos não fecundados.
LUZ CALOR E UMIDADE
Durante os dois meses de preparação deve-se preocupar com dois pontos muito importantes e um terceiro acessório.
O mais importante é o tempo de iluminação. Se você cria mais cedo, deve prolongar progressivamente a iluminação, ao ritmo de meia hora por semana, a fim de que os pássaros disponham de claridade de 13 a 14 horas r dia, quando você colocar as fêmeas em gaiolas criadeiras. A luz tem uma ação direta sobre a hipófise e o seu dicionário confirmará que esta glândula produz numerosos hormônios e, em particular, o do crescimento.
Após a construção do ninho, deverá ter 15 horas de iluminação, para passar a 16 horas, assim que nascerem os filhotes. Os pássaros, machos e fêmeas, reagem a este prolongamento de luz e sentem que dispõem de um número de horas suficientes para alimentar a ninhada.
Um segundo ponto importante é a temperatura, quando da colocação para a procriação, 12 a l4oC podem ser suficientes. Aqui também é preciso aumentar progressivamente e obter uma temperatura entre 15 e 18oC, após os primeiros nascimentos.
Um terceiro ponto não indispensável, mas muito útil, é o higrómetro. Um higrómetro mostrando entre 50 e 70% de umidade relativa do ar indica que os pássaros estão colocados em condições ideais. No início da estação de criação coloque o higrómetro 24 horas em uma toalha molhada, com o parafuso de regulagem coloque a agulha no 100 e você estará seguro que o seu aparelho dará informações exalas, sobretudo se você tiver um higrómetro de cabelo.
Destes três pontos, é o tempo de iluminação o mais importante.
A DIETA
Durante toda a duração da preparação de ração às fêmeas, mas não muito, os potes de ração dever estar vazios ao meio dia, nossos pássaros são sobretudo comedores de sementes. Entretanto as boas rações contém elementos de que têm necessidades. Ao contrário, os machos que não têm que acumular as mesmas reservas, receberão um suplemento de cânhamo em sua mistura de sementes, a fim de colocá-los em condição máxima. Geralmente é suficiente uma colher das de café para um equivalente a 3 ou 4 colheres das de sopa da mistura de sementes.
A mistura de sementes deve ser a mistura de criação, isto é, diferente da mistura de repouso. A composição desta mistura nos foi dada por um técnico que conhece o mundo dos canários. Ele colabora na fabricação de uma ração utilizada em muitos países.
A composição desta mistura de criação é a seguinte:
53% de farelo de milheto; 30% de nabo doce; 3% de cânhamo, 5% de níger, 3% de linhaça, 6% de aveia descascada.
Os criadores observam que os filhotes criados com sementes crescem geralmente mais rápidos.
Em consequência, para uma tigela de ração (250 gramas) coloque 4 colheres das de sopa de uma mistura de sementes, constituída de: l parte de papoula, l parte de cânhamo, 4 partes de níger, 4 partes de aveia.
Acrescente a isto uma colher das de sopa de Germalyne(r) (comprado em farmácia) e você ficará gradavelmente surpreso de que os pássaros, principalmente aqueles conhecidos como os mais delicados, como os inos e acetinados deverão receber o anel já no 5° dia. Se você não ficar atento o 6° ou 7° dia será tardio para muito destes filhotes.
Tenha o cuidado de manter os pássaros machos e fêmeas no mesmo local a fim de que eles se beneficiem juntos ao mesmo tratamento e das mesmas condições.
Os numerosos anos de experiências me permitem dizer que pássaros preparados em tais condições asseguram o máximo de satisfação.
INCUBAÇÃO - NASCIMENTO DOS FILHOTES - REGISTRO
Como dissemos no início deste artigo, não nos dirigimos aos criadores gabaritados. Temos frequentemente ouvido o raciocínio muito válido que diz que quando tudo vai bem, nada é preciso mudar. Ao contrário - e nós passamos por este estágio - os jovens criadores têm frequentemente dificuldades de encontrar uma literatura válida, ou conselhos confiáveis para criar seus pássaros.
Deixamos nossas fêmeas sozinhas, bem preparadas, em suas criadeiras completas. Rapidamente a fêmea vai nos indicar que está pronta. Ela se torna febril, nervosa, movimentando-se sem parar, bicando as patas ou o anel e transportando no bico uma pena ou qualquer outra coisa que encontre. Visita cada vez mais o seu ninho e se você a tomar nas mãos verá que ela apresenta o ventre bem desguarnecido, normalmente apresentando uma camada de gordura que será a sua reserva.
É preciso então dar-lhe materiais para confeccionar o seu ninho, como já vimos. Colocamos sempre o ninho de corda no ninho propriamente dito. Ele oferece a vantagem de permitir uma menor aderência de materiais, de colocar pó contra os piolhos entre os dois ninhos, de mudá-lo quando estiver muito sujo. etc.
Depois do uso ele é facilmente recuperável, lavando-se em solução de água sanitária.
Aconselhamos as fibras de sisal, que não contêm ácaros, normalmente abundantes. Essas fibras permitem ninhos bem brancos e também perfeitamente redondos no fundo, o que facilita o trabalho da fêmea para virar seus ovos.
Assim que a fêmea começa a tecer o seu ninho – geralmente na borda do ninho, pois é por aí que começa - é hora de introduzir o macho previsto. Normalmente ele é colocado à noite, pois pela manhã são mais frequentes as cópulas, ocorrendo mais frequentemente a fecundação.
Atenção, algumas fêmeas se contentam em depositar apenas alguns raminhos no fundo do ninho; portanto um controle diário do ninho deve ser feito.
Desde que o primeiro ovo é posto, retire-o e troque-o por um postiço; isto até o 4° ovo. Você então recoloca os 4 ovos e as eclosões se farão 13 dias a contar da manhã seguinte daquele dia. Este método oferece a vantagem de ver nascer rodos os filhotes no mesmo dia. Entre o 5° e o 7° di de incubação é preciso verificar se todos os ovos estão fecundos, para evitar que as fêmeas choquem inutilmente ovos assim. Se você tem um número importante de criadoras, poderá ainda equilibrar o número de ovos por ninho, desde que não se trate de pássaros da mesma variedade, anotando sempre no livro de criação, desde que as datas de nascimento coincidam. Uma diferença de um dia não é problema. É fácil de se fazer um aparelho para verificar se os ovos estão fecundados. Uma simples caixa contendo uma lâmpada acesa no interior e um orifício na tampa onde se coloca o ovo permitirá, por transparência verificar se o embrião se desenvolve ou não. Se só a gema aparece, não há esperança, pois o ovo não foi fecundado, porém se a partir do sétimo dia se observar um ovo mais escuro, podendo haver pulsasões cardíacas no embrião, não há com que se preocupar, pois o ovo está no bom caminho.
A partir do início do choco é preciso retirar o macho ou não? As opiniões são muito diferentes. Particularmente o retiramos, pois tanto temos necessidade dele em outro acasalamento como também isso deixa a fêmea chocar mais tranquilamente. Se você deixar o macho e ele não perturbar a fêmea ele corre o risco de engordar e, assim, você terá ovos não fecundados na segunda rodada de criação. Isto não é uma regra geral. De qualquer maneira um ou dois dias antes da eclosão dos ovos nós recolocamos o macho, sobretudo quando se tratar de filhotes do sexo feminino. Na verdade, algumas fêmeas ao sentir os ovos eclodirem se amedrontam, deixam o ninho e os filhotes e os ovos ficam frios. Se o macho tiver lá, 99% das vezes ele vai obrigá-la a voltar ao seu ninho.
Desde que as primeiras eclosões aconteçam e principalmente quando os filhotes foram pela primeira vez alimentados, você poderá tirá-los sem medo. Este fenómeno é raro na segunda ninhada ou com fêmeas de um ano ou mais.
Durante o choco, as fêmeas não só recebem água fresca regularmnente. Uma boa mistura de sementes para a criação e um pouco de ração, isto é, uma colherinha das de café. No dia do nascimento todos os filhotes devem sair. Os ovos não eclodidos poderão ser colocados numa pequena porção de água morna e se mexerem pode ter certeza que na manhã seguinte eclodirão. Porém, ao contrário, se não mexerem, você verificará que o embrião não se desenvolveu. Por que? De qualquer forma, é conveniente eliminá-lo ou substituí-lo por um ovo postiço, antes que a fêmea o elimine por si própria. Esse ovo postiço é muito útil nos primeiros dias, antes da colocação do anel, em uma ninhada de 4 ou 5 filhotes. Eles servem de apoio para colocar a cabeça, evitando assim o esmagamento no fundo do ninho.
Desde as primeiras eclosões verifique os ninhos diariamente.No nosso caso o fazemos duas vezes ao dia a fim de intervir rapidamente quando se constatar um problema qualquer. É preciso aumentar a quantidade de ração à medida que os filhotes cresçam. É preferível, quando possível, dar a ração fresca de manhã, ao meio-dia e à tarde, por volta das 17 horas. Lá pelo 5° dia é hora de estar atento quanto à dimensão das patas, que informarão sobre o momento em que será preciso colocar as anilhas. Não faça isto muito cedo senão você correrá o risco de ter o anel retirado pela fêmea. Acontece frequentemente colocarmos anilha em dois ou três filhotes e deixar os outros para o dia seguinte. Quanto mais os filhotes forem fortes, mais a fêmea terá dificuldade de jogá-los fora do ninho, pensando que os anéis são coisa a eliminar. Se você esperar um pouco demais, um pouco de óleo de oliva em cima dos pés permitirá a passagem mais facilmente dos anéis.
Quando os filhotes tiverem 17 dias a fêmea pode ser fecundada novamente. Ela irá começar as atividades do 2° ninho. Antes que ela arranque as penas dos filhotes, coloque-o no fundo da criadeira ou em outro lugar para que a fêmea os alimente sem problemas.
No lugar do primeiro ninho coloque um outro, que também tenha sido tratado com Baygon(r) verde pelo menos 24 horas antes. Recoloque os materiais e reintroduza o macho. Alguns instantes de observação e geralmente a fêmea é fecundada rapidamente. Ela começará seu novo ninho ao mesmo tempo que continua a alimentar seus filhotes. Frequentemente o macho toma parte ativa neste trabalho. Você pode então estar seguro que a separação ocorrerá sem problemas.
Quando os filhotes saem do ninho é preferível colocá-los em uma gaiola prevista para isto, entre duas criadoras.
Entre duas cunhadas uma manutenção completa da criadora é recomendada mesmo se a fêmea já botou um ou dois ovos, não se ela já estiver chocando. Tire tudo e faça uma limpeza completa. A vantagem deste sistema é a de não ter filhotes depenados. Eles também não atormentarão a fêmea ocupada com seu novo ninho. Se for colocado um filhote alguns mais idosos e independentes, os filhotes pegarão o hábito de se virar por eles mesmos. Desde que os vejamos se alimentando sozinhos poderemos colocá-los numa voadeira de l a 1,5 metros. Eles se acostumarão a pegar os poleiros em voo o que é útil antes de colocá-los em viveiros.
Durante este período, seguindo os conselhos do fabricante, nós lhes administramos 5 dias deTylan(r) como dose preventiva de uma colher das de café rasa por litro de água. Fixamos um anel plástico nos portadores de certos fatores para encontrá-los facilmente quando o colocamos em viveiros.
Não se esqueça de inscrever os filhotes em um registro de criação. Não confie em sua memória. Isto será muito útil para os próximos acasalamentos.
Assim que os filhotes estiverem em viveiros continue a colocar à sua disposição rações, uma boa mistura de sementes e bem cedo um bom corante alimentar para aqueles pássaros de fator vermelho. A sequência - e não é o mais simples - é a de manter em perfeita saúde até a próxima estação de criação ou ate a sua partida.
Naquilo que nos concerne depois de ter criado 140 filhotes com 19 fêmeas, temos até hoje duas mortes, uma das quais provocada pelo criador.
Tradução: Neusa de Aquino Gardes
(c)AOB-LE MONDE DÊS OISEAUX
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EM MEU CANARIL

Ciclo de Reprodução

O Ciclo da Reprodução
O ciclo da reprodução dos canários, desde a postura dos ovos até que as crias saiam do ninho, dura cerca de um mês. Durante esse tempo, os pássaros têm de cumprir uma série de obrigações que são reguladas por processos biológicos complicados. Se uma das fases desse processo não se desenrola normalmente, todo o ciclo pode ser perturbado. Não devemos de maneira nenhuma intervir na seqüência natural da reprodução.
É necessário lembrarmo-nos de que os canários são individuais e que têm gostos diferentes. Não podemos portanto tratar todos da mesma maneira, o que aliás se aplica de uma maneira geral à criação de todos os animais.
Dizem os entendidos que há aves mais fáceis de criar do que os canários, eu penso que não é difícil, desde que se tenha espaço, gosto e paciência, principalmente no início.
Um dos primeiros problemas que surge é quando juntar os canários. Eles são muito influenciados pela duração do dia mas penso que também são sensíveis ao aumento das temperaturas.
Há basicamente dois métodos. Um consiste em juntar o macho e a fêmea durante todo o ciclo, de forma a que ambos partilhem as tarefas como um "bom casal". É talvez o mais natural e deve ser posta em prática desde que não haja nenhum inconveniente. O outro método consiste em retirar o macho no final da postura ou porque ele é agressivo e pode perturbar o choco, ou porque queremos aproveitar as boas qualidades do macho para juntar a outra fêmea. É necessário estar atento. Há machos que criam melhor os filhotes do que as próprias fêmeas e há fêmeas que abandonam o ninho se o macho for retirado. O melhor é conhecer bem as aves e optar pela melhor solução para cada caso.
Período Ideal
A época que eu considero ideal para o acasalamento dos canários é do início da Primavera até o final do Verão, porém quanto a este item a controvérsias pois outros criadores indicam outros períodos, mas o que devemos ter em mente é que não devemos iniciar o acasalamento no inverso.
Iniciando o acasalamento
Este período é fundamental, pois sem ele podemos ter casais que não se dão muito bem, por isso costumo colocar as gaiolas do macho e da fêmea ao lado uma da outra para que o casal passe a se conhecer, a gaiola da fêmea deverá conter o ninho do tipo aberto e alguns pedaços de saco de estopa. Se possuir mais de um casal faça o mesmo procedimento com todos os casais de forma que os pássaros não vejam os outros casais, para não tirar a atenção do companheiro que nós escolhemos.
Devemos observa-los periodicamente até percebemos que o macho passe a cantar para a sua companheira, e ele irá alimenta-la através das grades, a fêmea mostra seu interesse começando a construir o ninho com linhas de estopa.
Após percebermos que o casal se identificou devemos juntar o casal para iniciar o acasalamento.
Postura
Após alguns dias do acasalamento a fêmea porá seu primeiro ovo, a quantidade varia de 3 a 6 ovos , sendo a média de 4 ovos.
A postura ocorre pela manhã antes das 8 horas , após este período devemos substituir o ovo, com uma colher limpa, por um ovo artificial (encontrado nas casas do ramo), o ovo retirado deve ser colocado em um recipiente com algodão ao fundo para evitar danificarmos os ovos, duas a três vezes ao dia devemos virar os ovos. Após percebermos que a fêmea já finalizou a postura devemos retirar os ovos artificiais e substituí-los pelos verdadeiros para que se inicie a incubação.
Incubação
O período de incubação à partir do dia em que devolvemos os ovos verdadeiros ao ninho é de 13 dias em alguns casos chegando a 15 dias. Se após 17 dias os ovos não eclodirem, separe o casal e analise se todo procedimento foi feito corretamente, mas existem casos de machos que não fecundam determinadas fêmeas, tente um mudança de casal.
Filhotes
Os filhotes deixam o ninho entre 25º e o 27º dia. Em alguns dias já estarão se alimentando sozinhos e poderemos separa-los dos pais e iniciarmos novo ciclo da reprodução com o mesmo casal.

terça-feira, 28 de julho de 2009

FRISADO DO SUL

Arquivo editado em 25/12/2002

País de origem: FRANÇA (Sul)

HISTÓRICO Como nas outras raças frisadas mais antigas, a origem é obscura. Mas tais pássaros parecem ser originais do Sul da França, espalhando-se depois para a Itália e Espanha.
O interesse e o desenvolvimento específico desse tipo em uma certa região, em termos remotos, poderá ser explicado pelo isolamento ocasional de um grupo de criadores de pássaros frisados. Estes criadores, dando uma interpretação toda pessoal a um padrão que possuíam, conduziram a raça, por falta de material de comparação, ao que supunham ser o ideal e posteriormente, ao compará-la com os pássaros de outros centros, verificaram que as diferenças eram marcantes e praricamente uma nova raça foi fixada.
Se compararmos o FRISADO DO SUL com o desenho do Frisado Parisiense feito pelo Sr. Le Roy, em 1890, a semelhança é grande. É também conhecida por HOLANDÊS DO SUL.
Sendo um frisado leve, as frisuras não são tão volumosas quanto as das raças pesadas.

O FRISADO DO SUL IDEAL

TAMANHO: É um pássaro de tamanho que deve variar de 16 a 17 cm, tamanho este de difícil avaliação pela posição curvada que adota, tanto em repouso como em posição de concurso.
Sendo um pássaro de postura, esta é fundamental para o julgamento. Em posição de concurso, o pássaro gripa o poleiro.

FORMA: As canelas e coxas ficam praticamente na vertical do poleiro, o pescoço distende-se e a linha cabeça-pescoço-dorso e cauda se aproxima da forma do número 7, inclinado em relação à sua posição original.

PLUMAGEM: A plumagem é abundante em relação ao Gibber Italicus e o Giboso, mas bem menos abundante que a das raças pesadas.
Os pássaros nevados, normalmente, têm plumagem mais volumosa.
O manto deve ser dividido por uma linha longitudinal no centro das costas e cair simetricamente sobre elas, cobrindo os encontros das asas.

PEITO: O peito também é duplo, formando na parte superior o "cestinho" característico. O ventre deve ser liso.
Os fachos nascem na região de implante das pernas e se elevam em curva, envolvendo a parte inferior das asas.

CABEÇA: A cabeça é pequena, serpentiforme, o bico proporcionalmente grande e os olhos centrados.

PESCOÇO: O pescoço é longo e fino, harmônico com o tamanho da cabeça, e se insere no tronco da parte superior em um ângulo arco de cerca de 90º.

PERNAS: As pernas são compridas, as coxas emplumadas e aparentes em todo o seu comprimento, as canelas também longas, dedos e unhas de tamanho compatível. As unhas são normais, sem curvaturas.

CAUDA: A cauda é relativamente longa, fina e posicionada no prolongamento da linha do dorso.

ASAS: As asas são longas, perfeitamente aderentes ao dorso, com as pontas se tocando sem se cruzarem .

O pássaro deve estar limpo e sadio e pode ser apresentado em qualquer cor de fundo, bem como pintado.

COMENTÁRIOS SOBRE AS CARACTERÍSTICAS

Pássaros que não entram em posição devem ser penalizados com rigor. Os que ficam em posição próxima da ideal devem ser penalizados com brandura.
A forma do número 7 inclinado só é conseguida quando em posição. Os pássaros que na posição de repouso se agarram às grades laterais não devem ser penalizados.

O tamanho ideal é entre 16 e 17 cm. Pássaros com tamanho excessivo devem ser penalizados. Pássaros pouco menores que os 16 cm, que entrem na posição, devem ser penalizados com moderação.

O volume da plumagem deve ser compatível com a forma. Pássaros com frisuras abundantes tendem a apresentar frisuras em locais onde não devem existir, e devem ser penalizados.
Pássaros com frisuras escassas, como as do Gibber, devem ser penalizados com rigor.
Só o manto, peito e fachos são admitidos como frisuras. Outras zonas como cabeça, pescoço e ventre que apresentem frisuras devem sere penalizados proporcionalmente à importância dessas frisuras.

Manto curtos em demasia, mesmo que simétricos, devem ser penalizados. Mantos assimétricos devem ser penalizados proporcionalmente à assimetria.

Peito onde as penas não convergem para o centro devem ser penalizados com rigor.

Fachos curtos, mesmo simétricos, devem ser penalizados. Fachos assimétricos devem ser penalizados proporcionalmente ao grau de assimetria. Pássaros com fachos para cima, mas implantados em direção errada, por exemplo para a frente sem envolver as asas, devem ser penalizados.

Neste item devem ser observados a cabeça e o pescoço. Cabeça grande, pescoço curto e grosso devem ser penalizados com rigor. Bico muito pequeno e olhos posicionados devems ser penalizados.
Frisuras nessas partes devem ser penalizados no item PLUMAGEM.

As pernas são longas e na posição de concurso ficam praticamente na vertical do poleiro. Na posição de repouso ficam ligeiramente fletidas.
Coxas sem plumas ou pouco aparentes devem ser penalizados com rigor. Canelas curtas devem ser penalizadas com rigor. Pernas em que a articulação coxa-canela se desloque para a frentre quando o pássaro entra em posição devem ser penalizadas com moderação.

A cauda é relativamente longa e compacta, e deve ficar no prolongamento do dorso. Caudas curtas, levantadas, ou que saiam da linha do dorso quando o pássaro entra em posição, devem ser penalizados com rigor. Os pássaros que entram em posição com freqüência normalmente apresentam a parte interna da cauda, e às vezes os pés, sujos de fezes, mas isto não deve ser levado em consideração. Penas da cauda esgarçadas são também comuns, pois o pássaro utiliza a cauda muitas vezes como apoio, e isto não deve ser penalizado. Caudas com falta exagerada de penas devem ser penalizadas com rigor.

Asas curtas devem ser penalizadas com moderação. Asas que cruzam devem ser penalizadas proporcionalmente ao grau de cruzamento. Com as asas arriadas o procedimento é idêntico.

O pássaro deve estar limpo e saudável. Pássaros sujos devem ser penalizados. Os pés e a parte interna da cauda podem apresentar traços de fezes após um ou dois dias na gaiola, mas isto não deve ser penalizado.
São admitidas todas as cores de fundo e também pássaros pintados.

· A ausência de manto ou os que tenham todas as penas voltadas para um só lado.
· Pássaros cujas penas do peito estejam voltadas para um só lado.
· Pássaros com ausência de facho(s) ou que esteja(m) arriado(s), isto é, para baixo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Branco Recesivo

Branco (Recessivo)
- Branco Dominante, em ambos com variação para Ino (olho vermelho)
- Albino
- Albino Dominante

BRANCO RECESSIVO
Apresenta uma brancura imaculada em toda sua plumagem. Geneticamente é de caráter recessivo, necessitando portanto de dose dupla para o seu surgimento. Daí a necessidade, na prática, de se acasalar um Portador de branco ou Portadora, com um Branco puro ou pura, produzindo teoricamente 50% de portadores e 50% de puros.
O acasalamento de Puros x Puras produz 100% de filhotes brancos.
O fator recessivo é responsável pela ausência absoluta de carotenóide, a inibição total do depósito de lipocromo configura o branco absoluto.
A característica genética principal da raça é a incapacidade do organismo metabolizar a pró-vitamina A que ingere, daí a necessidade de se fornecer, em sua dieta, a vitamina A pura, já elaborada.
Devido a essa deficiência vitamínica, a pele do recessivo difere da dos demais canários, apresentando uma cor arroseada ou lilás.
Nos filhotes recém-nascidos pode-se notar mais nitidamente esta característica. Eles são bem róseos ao nascerem. À medida que vamos lhes administrando a vitamina A elaborada, a sua pele vai-se transformando em uma cor mais avermelhada.

BRANCO DOMINANTE
Essa espécie não é, na realidade, um canário totalmente branco pois muito embora seu fenótipo assim se apresente, nota-se resquícios de carotenóide, em especial nas bordas das penas periféricas das asas, cauda, encontros e outras regiões do corpo.Nota-se uma incidência maior do lipocromo nos machos. Daí haver um aproveitameno maior das fêmeas para concursos, por apresentarem uma inibição maior do lipocromo na plumagem, característica que muito as valoriza na condição de Branco Dominante.
O carotenóide ou lipocromo varia do amarelo ao vermelho-laranja e marfim, devendo prevalecer, contudo, a tonalidade "amarelo limão".
Importa ressaltar, ainda, que o "branco da plumagem"não é lipocromo.
A hereditariedade do fator Branco Dominante explica-se, em parte, pelo seu próprio nome, sendo ele dominante em relação aos demais fatores, isto é, domina as demais cores de fundo, seja amarelo, laranja , vermelho ou marfim. Daí obtermos do acasalamento de um branco dominante com um canário amarelo normal, teoricamente, 50% de Branco Dominante e 50% de amarelos.
Não existe o Branco Dominante homozigoto, visto ser ele letal, havendo a perda de 25% dos embriões, pelo fator sub-letal no acasalamento de dois brancos dominantes. Constata-se que poucos são os criadores no Brasil que se dedicam a essa variedade de branco, haja vista a disseminação do Branco Recessivo, teoricamente mais fácil de se criar. A peculiaridade da espécie de somente as fêmeas reunirem as melhores condições técnicas para concurso, e dos machos apresentarem indesejáveis incrustrações lipocrômicas, e ainda, dos filhotes amarelos apresentarem muita névoa (dificultando, portanto, o aproveitamento em criações de amarelos intensos) levam os criadores brasileiros a desprezar essa linha, fato certamente lamentável.
Grupo diverso (no qual me acho incluso) prefere criar o Branco Dominante de modo combinado com o Branco Recessivo, ainda que o resultado do cruzamento seja mais demorado e nem sempre se logre a qualidade técnica desejada e necessária.
ALBINO (RECESSIVO) E ALBINOS DOMINANTES
Tem as mesmas características fenotípicas do canário branco e branco dominante, só que possuem olho vermelho (cor de rubi).
Os inos (geneticamente recessivos) foram praticamente extintos de nossos criadouros. Apresentam uma maior dificuldade técnica e genética para criação, por possuírem olhos vermelhos.
Deve ser evitado sua exposição prolongada aos raios solares, principalmente em horários muito quentes, sob o risco de causar cegueira, daí a sua fragilidade.

Ágata Topázio