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terça-feira, 27 de outubro de 2009

A DIARRÉIA DE NINHO


Um dos maiores problemas de sanidade animal que quase todos os médios e grandes criadores de canários enfrentam durante o período de cria é, sem dúvida, a diarréia dos filhotes. É a doença que mais mata na canaricultura.
Os agentes etiológicos da doença apresentam muitas cepas resistentes aos antibióticos e quimioterápicos empregados na canaricultura. Esta situação pode ser explicada entre outros fatores, pelo uso indevido e incorreto destas drogas por sub-dosagens e ou por outros períodos insuficientes, gerando em conseqüência, a resistência bacteriana. Tem sido muito comum nos últimos anos, criadores utilizarem potentes antibióticos em seu plantei, durante a criação, porque um colega usou em anos anteriores ou está usando com sucesso, sem nenhum ou outro motivo. Por esta razão, a utilização do laboratório é fundamental no manejo desta temível doença, tanto para diagnóstico como para determinação dos testes de sensibilidade aos antibióticos e quimioterápicos.
Sinonímia:
Suor das fêmeas, mães más nutrizes, pescoço em "S", proventriculite?
Fitologia:
Várias espécies de bactérias a Eschericliia coli, Klebisiela, Estaphilococus, fungos do gênero cândida foram encontrados em surtos de diarréia de ninho, sendo importante o papel do laboratório na identificação destes agentes.
Patogenia:
Os filhotes de canário quando nascem não apresentam flora intestinal. A colonização intestinal é lenta e gradual e pela flora benéfica. Evidentemente que bactérias patogênicas, quando conseguem localizar-se no tubo digestivo destes filhotes, encontram terreno propício à proliferação causando enorme estrago.
Entre os fatores que levam estes filhotes a serem colonizados por germes patogênicos relaciona¬mos:
1) Superpopulação no criadouro
2) Inadequada higiene do ambiente.
3)Administração de alimentos deteriorados, prin¬cipalmente os a base de ovos
4) Contaminação da água e de alimentos por fezes humanas ou de canários.
5) Carência nutricional
6) Associação com outras doenças.
Quadro clínico:
A grande característica e, seguramente a única observada por grande parte dos criadores, é de que os pais não tratam ou deixam de alimentar seus filhotes.
Stroud R. relata que as penas do peito da fêmea ficam úmidas e despenteadas, como se a canária estivesse suando enquanto cobria seus filhotes. Na verdade isto ocorre porque a canária não sua. O que acontece é que uma fina e viscosa diarréia, presente nos filhotes, molha o peito da canária. O ninho, geralmente está com aspecto úmido e com mau cheiro.
O instinto de sobrevivência das espécies está presente também nos canários mas, ao pressenti¬rem também instintivamente, a presença de uma doença, contra a qual nada podem fazer deixam de alimentar os filhotes. Geralmente é acometida toda a ninhada. A doença tem evolução muito rápida e, dentro de 24 horas após o início dos sintomas os filhotes morrem com emagrecimento intenso, palidez, pescoço em forma de "S" ou vírgula, com diarréia fibrosa e acinzentada.
O exame dos cadáveres é importantíssimo para confirmação do diagnóstico, pois vários agentes apresentam quadro clínico semelhante.
O exame também deve servir de base para isolamento das bactérias e conseqüente conheci-mento da sensibilidade a antibióticos e quimiote¬rápicos.
O exame macroscópico do cadáver mostra . aspecto hemorrágico na pele e em vários órgãos.
Enterite catarral aguda e acúmulo de fezes no ânus.
O diagnóstico clínico, para os criadores experi¬mentados, é sempre fácil. Difícil é a profilaxia que passa, obrigatoriamente, pelo laboratório.
Tratamento:
Uma vez instalada a doença, não existe tratamen¬to seguro. 5troud R. recomenda a administração de sais de saúde na água potável, a troca do ninho por outro limpo e quente, a substituição de toda comida rançosa por alimento de boa qualidade, preferindo dar ao casal batata cozida.
Recomenda-se também pão úmido em vez da farinhada com ovos.
A utilização de antibióticos raramente traz benefícios se a doença já está instalada e traduz-se por perda de dinheiro, tempo, contaminação (pelas mãos) de outros casais e insatisfação.ProfilaxiaAinda temos que pesquisar para que possamos determinar com precisão porque nossos canários adoencem desta enfermidade. Temos certeza de que se soubéssemos exatamente o que determina a quebra do equilíbrio, muito sofrimento seria poupado e estaríamos dando um grande passo na canaricultura.
O tratamento profilático com o uso sistemático de antibióticos ou quimioterápicos, as vezes se impõe. Contudo, é importante que não esqueça¬mos os princípios básicos de higiene pois, são eles que impedem a ocorrência da doença:
a)Rigorosa higiene do criadouro;
b) Desinfestação periódica do plantei;
c) Alimentos frescos e de boa qualidade;
d) Água desinfetada e sem excessos químicos;
e) Higiene do tratador.
O tratamento profilático com antibióticos ou quimioterápicos deve obedecer princípios básicos:
a) Só deve ser administrado ao plantei quando o problema, efetivamente, existir. Ouando a perda de filhotes ultrapassar a 10%, dentro dos 10 dias de vida.
b) Após reconhecimento do agente etiológico e testes de sensibilidade a antibióticos e quimioterápicos.
c) Uso do medicamento de acordo com os testes prévios, por no mínimo 7 dias a contar do dia do nascimento e nas doses adequa¬das. Infelizmente para a maioria das drogas esta dose não está bem estabelecida para utilização em canários.
d) Em caso de novas mortes, utilizar novamente o laboratório.
Garcia A. recomenda a administração de uma associação de antibióticos que se potenciem entre si, e sugere a Estreptomicina, o Cloranfenicol, a Terramicina e as ampicilinas, na dosagem de 1,0 g /0,5 L de água. O mesmo autor, em outro artigo, recomenda a associação de Cloranfenical, Tetraciclina e Eritromicina na dose de 1 a 2 mg/100 ml de água de beber ou 100 g de farinhada .
Em outro artigo, cujo autor não é identificado, Revista do Mundial de córdoba, Argentina, é recomendado pelo Dr. Vicente Verges a administração por 5 dias, a partir do dia anterior ao nascimento, misturada na pasta de cria, uma associação de antibióticos sinérgicos: Cloranfenicol, Terramicina, Estreptomi¬cina e Ampicilina, na base de 1 9 para 200 g de farinhada.
Cago R. recomenda como prática usual nos cuidados higiênicos, 5 dias do acasalamento até 5 dias após o nascimento dos filhotes, Neomicina na dose de 2ml/L de água, que pode ser substituído por Ampicilina, Nitrofurantoína, Furazolidona ou oxite¬traciclinas, nas dosagens recomendadas.
Ramalho C., em comunicação pessoal, informou o uso, com sucesso, da Neomicina, em 1987.
Em 1987 também usamos a Neomicina na dose de 2ml/L de água de beber com sucesso. Em 1988, infelizmente, não observamos o mesmo resultado e por cultura do conteúdo intestinal de cadáveres e de fezes das matrizes, comprovamos que todas as amostras de E. Coli isoladas eram resistentes a Neomicina. Nesta ocasião, quase todas as amos¬tras mostravam sensibilidade a Ampicilina, Gentamicina, Bactrin e Amicacina. Como alternativa, passamos a empregar a Ampicilina e o Bactrin associados, na dose de 2 comprimidos para cada 200g de farinhada com bons resultados.
Temos visto criadores utilizando, empiricamente, antibióticos de uso humano na papinha dos filhotes, com sucesso. Consideramos estas medidas perigosas porque não conhecemos as dosagens corretas nem os efeitos colaterais. Antibióticos do grupo das floxacinas que são contra-indicados em crianças são administrados em filhotes de canários recém-nascidos. Dentre os antibióticos e/ou associações usados como preventivos de diarréia de ninho ressaltamos: Ciprofloxacina, Norfloxacina, Ampicilina, Gentamicina, Cefalexina e Amexacilina com Clavulanato.
Hoje, não temos dúvida de que o tratamento preventivo, da diarréia de ninho na canaricultura, depende do resultado de exames da sensibilidade das cepas isoladas no criadouro. Para tanto, antes do início da criação, colhemos amostras de fezes das matrizes, para verificação de eventuais parasitas intestinais que podem agir como co¬fatores, como os coccídeos por exemplo, e para fazer os testes de sensibilidade (antibiograma).
Evidentemente, quanto maior o número de amostras e cepas isoladas, melhor serão os resultados finais. A morte de filhotes com diarréia de ninho também merece a devida análise, com o resultado da flora Intestinal.
Infelizmente, existem muitas controvérsias quanto as doses e vias de administração dos antibióticos e quimioterápicos administrados aos canários. A ornitologia precisa evoluir ainda mais neste campo. Freqüentemente, há necessidade de associarmos duas ou mais drogas e, as combina¬ções recomendadas na ornitologia, diferem substancialmente das empregadas em medicina humana, muito mais evoluída.
Paralelamente a administração de antibióticos, também devemos dar aos canários vitaminas do complexo B e germes da flora normal (Entrodex, por exemplo), para restauração da flora intestinal. Figueiredo J. recomenda o uso do medicamento humano Lactipan, na dose de 5 cápsulas para cada quilo de farinhada, durante, praticamente, toda a criação, tendo comprovado o seu valor.
Resumindo:
10 A diarréia de ninho continua sendo o maior problema de sanidade animal dos criadores de canário.
2) O laboratório tem papel fundamental no manejo desta doença.
3) A doença é dinâmica sobre vários aspectos e, pode estar ou não presente no criadouro, dependendo dos co-fatores.
4) A sensibilidade das bactérias aos antibióticos e quimioterápicos também não é estática e vem varian¬do de ano para ano e algumas vezes em um mesmo período de cria, obrigando a alterações nas drogas usadas.
5) Há necessidade de melhores estudos com metodologia científica sobre a doença, intercâmbio de informações e, estabelecimento correto das doses dos medicamentos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

COMO MONTAR SEU CRIADOURO PARA TER SUCESSO NA CRIAÇÃO

Revista SOC

Não amontoar as gaiolas;
Usar uma parede de criadeiras e outra na frente para os filhotes, mantendo o centro do criadouro livre ou dois alojamentos, um para a criação e outro para os filhotes;
Não dar calor artificial, manter corrente de ar natural e central. Nunca corrente de ar direta nos pássaros;
Usar luz artificial das 7h até às 20h, pois a luz artificial, além de aprontar os canários, aquecerá o criadouro.
No comércio temos os Multi-Timer – Programador de Horários, o que nos facilita em muito nossas tarefas. Particularmente, usamos em nosso criadouro, dois programadores de horários, um que manterá a luz no horário acima citado e outro, com luz penumbra azul, programado para manter iluminado o local no período das 20h ás 21h, com a finalidade de induzir as fêmeas a irem para os ninhos.
Um ponto fundamental é evitar o máximo de ruído, não falar alto e evitar batidas dentro do canaril.
ALIMENTAÇÃO PARA REPRODUÇÃO
Aconselhamos usar potes meia lua para água, alpiste e areia;
No centro da criadeira, devemos usar a banheira para a farinhada, sendo que usamos o nabão, a linhaça e a niger junto a farinhada, diariamente, pois assim não há desperdício e acima de tudo facilita a higiene diária;
No período de reprodução usamos 2 ovos para cada colher de farinhada, após o 1o dia de nascimento até o 5o dia, damos somente a gema do ovo, passado na peneira; do 6o dia em diante damos a farinhada completa.
Outro fator fundamental, é os casais gostarem da farinhada, que por ser farta em ovos é essencial par aa alimentação dos filhotes. Contudo devemos alimenta-los moderadamente, para que não se acostumem somente com esse tipo de alimento, pois se faltar a farinhada teremos que substituir por sementes, que para os filhotes são duras e difícil de serem digeridas, fazendo com que eles enfraqueçam no ninho e venham a morrer.
Particularmente, em nosso criadouro, produzimos nossa própria farinhada, não fornecemos água filtrada e optamos em não administrarmos vitaminas e nem antibióticos aos nossos canários, pois assim eles tendem a ficar mais rústicos e resistentes, aumentando suas defesas imunológicas. Uma hora antes de desligar as luzes, os alimentamos com folhas de couve, para com isso estimular as fêmeas a alimentar os filhotes antes de irem para o ninho.
Uma atenção especial deve ser dada as fêmeas xucras, estas devem ser colocadas nas últimas gaiolas, na parte superior e não mexer nos filhotes antes do 7o dia após o nascimento.
Após um tempo fora dessa atividade, este ano iniciamos um novo plantel. E já estamos tirando uma média de 9 filhotes por casal, usando as técnicas acima citadas, as quais já foram testadas com sucesso anteriormente por nós.
Desejo a todos os criadores muito sucesso e que possam, aproveitar um pouco a nossa experiência.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A ARTE DE CRIAR LANCASHIRE



Revista UPCP 2005
I INTRODUÇĂO
Os canários Lancashires săo, na realidade uma raça reconstituída, a versăo antiga já era bem conhecida há mais de 200 anos na Inglaterra. A origem deste canário gigante nunca foi bem documentada, entretanto, acredita-se ter evoluído a partir de canários holandeses. A versăo original da raça extinguiu-se durante a Segunda Guerra Mundial. O que temos atualmente é zootecnicamente falando uma raça reconstituída, nesta reconstruçăo que terminou nos anos 50, foram usadas raças com pintas escuras e/ou melânicas, como por exemplo o Yorkshire e o Crested.
Atualmente os Lancashires possuem as seguintes cores de fundo: branco, amarelo intenso, nevado e melânicos (verdes), os primeiros podem portar pintas pretas. Uma das características desta raça é o topete em ferradura, que é um fator dominante. Este gigante pode atingir 23cm de comprimento.
II ALIMENTAÇĂO
Como para todos os canários a alimentaçăo básica săo os grăos, dentre estes destacam-se: alpiste, coisa, aveia, níger, nabăo, linhaça e perila. Geralmente as verduras prediletas săo couve e jiló. Na realidade os Lancashires aceitam uma grande variedade de verduras (brócolis, espinafre, almeirăo, folha de mostarda, repolho, agriăo e pepino). Com relaçăo ŕs frutas, aceitam-se frutas cítricas como laranja, tangerina e limăo (na água), consomem ainda com prazer maçă. Aceitam bem farinhadas de boa qualidade tanto umedecidas quanto secas. Năo se deve esquecer que um Lancashire tem o apetite compatível com o seu tamanho, năo o alimente como se fosse um canário de cor ou raça espanhola.
Deve-se tomar cuidado em năo oferecer alimentos que tenham caroteno natural especialmente cenoura e derivados de milho, pois estes produtos poderăo dourar demais os canários ou mesmo deixá-los com algumas penas avermelhadas. Obviamente, excluir qualquer alimento artificialmente
carotenado. Há controvérsia com relaçăo ao uso do ovo na alimentaçăo do canário. No presente caso, recomenda-se usar o ovo em metades com parcimônia, isto é, uma vez por semana, ou de quinze em quinze dias. Quando se trata da alimentaçăo de filhotes nidícolas pode-se aumentar esta freqüęncia, mas no máximo em dias alternados.
Ill REPRODUÇĂO
Os Lancashires se reproduzem facilmente em gaiolas (criadeiras), desde que sejam num tamanho adequado (65 x 33 x 27cm). Em funçăo do tamanho do pássaro, lembrar que o poleiro deve estar no mínimo a 17 cm da parte superior da gaiola. O ninho próprio deve ter 11,5 cm de diâmetro de boca. Em funçăo do seu tamanho, o período de choca desta raça dura geralmente 14 dias, năo retira r ovos com menos de 16 dias. A grande maioria săo excelentes pais, mesmo quando se trata de ninhada com quatro pintainhos. A teoria de deixar somente dois filhotes no ninho, para ficarem bem desenvolvido, carece de fundamento. Quando uma canária năo choca bem ou năo cuida satisfatoriamente dos filhotes, o melhore dar os ovos para uma ama cuidar. Os filhotes devem ser preferencialmente anilhados aos sete dias, caso contrário há o risco dos anéis năo entrarem, lembre-se o crescimento é muito rápido. Após trinta a quarenta e cinco dias, os filhotes deverăo ir para uma voadeira ou viveiro. Ao contrário da crença popular, os Lancashires reproduzem muito bem já no primeiro ano de vida. Entretanto, no tocante a formaçăo dos pares deve-se tomar cuidado especial pela aceitaçăo mútua dos canários, isto pode poupar muito tempo.

IV CRUZAMENTOS CRUZAMENTOS E COMENTÁRIOS
Amarelo nevado x amarelo intenso
Amarelo nevado x branco
Topete x sem topete
Amarelo nevado x amarelo nevado
Amarelo intenso x amarelo intenso
Branco x branco
Amarelo intenso x branco
Sem topete x sem topete
Topete x topete
Pintado x sem pinta
Verde x sem pinta
Verde x pintado
Pintado x pintado
Sem pinta x sem pinta
Ideal: nevado e intenso
Ideal: branco e nevado
Ideal: Topete e sem topete (1)
Somente para aumentar o porte
Năo recomendado, da o intenso pena-dura
Cruzamento alternativo, só branco
Năo recomendado
Cruzamento alternativo
Năo recomendado: topete e sem topete (2)
Comum: com pinta e sem pinta
Comum: com pinta
Comum: verde e com pinta
Comum: verde, com pinta e sem pinta
Ideal: sem pinta (3)

1 O sem topete deve ser filho de topetudo, caso contrário, os com topete deste cruzamento terăo o topete imperfeito. Lancashire sem topete, filho de com topete, tem uma sobrancelha bem desenvolvida, principalmente nos machos.
2 Este cruzamento deve ser evitado, porque a homozigose dominante (dois genes para topete) é letal.Geneticamente parece haver outras implicaçőes deletéricas e de má formaçăo congęnita nos indivíduos oriundos deste cruzamento.
3 Um canário aparentemente sem pintas, mas que tenha partes do bico ou patas pretas, bem como subplumagem preta săo geneticamente considerados com pintas e năo sem pintas. Isto explica por que, ŕs vezes, do cruzamento de dois "sem pintas" dá produtos com pintas. É comum ver-se Lancashires com topete apresentando algumas penas escuras ou pretas, estes exemplares săo com pintas.
V CONCLUSĂO
Criar Lancashire é como criar qualquer outra raça de canários, a grande diferença resume-se no seu tamanho grande que requer alojamentos maiores e mais comida. Para criá-los năo é necessário grandes experięncias, apenas um cuidado especial na hora da formaçăo dos casais.
O Lancashire é um canário cativante pela sua elegância e seu tamanho (um canário realmente de porte), e ainda pelo seu canto mais espaçado, porém poderoso (bem alto). Pode-se até dizer que é um símbolo de status.
Infelizmente existe uma série de boatos sobre este canariăo, o gigante de Manchester, que năo tem respaldo científico ou prático. Entre outras dizem que só se reproduz após o segundo ano, que săo maus pais e ainda por cima, muito frágeis.

sábado, 10 de outubro de 2009

Canários Começando do Jeito Certo

Como eu descrevi no artigo anterior geralmente alguns precipitam se
e acabamos começando á criar canários da forma errada, vou citar algumas
dicas que com certeza poderão ajudar para uma boa iniciação na sua
criação de canários.
Primeira coisa escolha o tipo de canários que deseja criar, seja de cor ou porte
ou as duas, e claro qual a cor dos canários que quer criar e os de porte
também se dividem em varias espécies.
O melhor que pode se fazer é conversar com um criador experiente e visitar
a sua criação, para conhecer estas todos os tipos de canários e ver qual destes
vão lhe chamar mais atenção, escolha no máximo, seis casais pois na temporada
se tudo corre bem você já vai ter uma bom numero de canários e sem grandes custos.
vamos as instalações e a alimentação.
NO PROCIMO ARTIGO FALAREI SOBRE AS INSTALAÇÕES

Alex Sandro Machado.
Artigo002

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

COMO JULGAR SEUS CANÁRIOS

Revista pássaros nro 06-1997
Para julgar canários é necessário seguir uma série de regras e critérios uniformes, para que năo surjam da parte dos expositores dúvidas a respeito da correta atuaçăo dos juízes. O juiz deve apresentar-se ao julgamento perfeitamente descansado, e tomar como primeira providęncia a escolha de um local amplo, com luz natural e que ofereça tranqüilidade para o bom desempenho das suas funçőes. Os juízes săo a maior autoridade no julgamento e, como tal, terăo condiçőes para retirar do local expositores, diretores, ou qualquer pessoa que esteja pressionando ou perturbando o seu trabalho.
Quando solicitado por algum expositor, a dar qualquer explicaçăo, acerca do julgamento, os juizes, a seu critério, poderăo ou năo atender a solicitaçăo. Nas fichas de julgamento deverăo ser feitas anotaçőes referentes aos pássaros de ótimas qualidades, mas que por qualquer defeito tenham sido desclassificados.
Aos juizes é expressamente proibido, tecer comentários ou críticas a respeito do trabalho de seus colegas, o que poderá acarretar-lhes uma advertęncia ou puniçăo. Ao juiz cabe chamar os pássaros pela ordem cronológica de nomenclatura, tendo o cuidado de verificar se todos os pássaros inscritos na sua respectiva cor, passaram pela mesa de julgamento.
O juiz deverá colocar-se, sempre com o sal ŕs suas costas, para evitar reflexos solares em seus olhos.
Os pássaros que apresentem defeitos desclassificados, irăo sendo retirados pelo juiz, até que restem apenas exemplares aparentemente perfeitos.
Após essa operaçăo será feita uma avaliaçăo das qualidades desses pássaros, até que restem apenas 5 ou 6 pássaros na mesa, quando deverá ser feita a classificaçăo de 10 ao 50 lugares. Se necessário, em caso de empate, deverá ser feita a pontuaçăo dos exemplares.
Um bom exemplar deve preencher os requisitos descritos, de uma forma perfeitamente balanceada ou harmônica.
Dentre as principais características, o canários deve ter o bico curto e grosso, cabeça redonda, olhos redondos, vivos e centrados em relaçăo ŕ cabeça, pescoço cilíndrico e curto, em harmonia com a cabeça e o peito, que deverá ser arredondado, asas coladas ao corpo, devendo as pontas se juntarem, porém sem se cruzarem; cauda proporcional ao tamanho, năo devendo ser muito comprida, formando uma linha reta com o dorso e terminando em um M maiúsculo; as patas bem limpas e firmes, unhas e dedos sem defeito, se adaptando com firmeza ao poleiro.
No julgamento de quartetos é imprescindível que os quatro pássaros estejam em perfeita harmonia, sem a qual năo serăo classificados, mesmo em se tratando de quatro magníficos exemplares, porém diferentes entre si.
As cores dos canários se dividem em lipocromicas (linha clara) e melânicas (linha escura).
Os lipocromicos săo brancos, amarelos e vermelhos. As melaninas săo negras (eumelanina) e canela ( feomelanina). Dentro das duas citadas categorias, existem os nevados, intenso e mosaicos.
Os canários lipocromicos, Branco Dominante, amarelo, Branco Recessivo, Amarelo Marfim, Vermelhos e Vermelho Marfim tęm como principais causas de desclassificaçăo: manchas melânicas, negro ou marrom no bico, plumagem e patas. As manchas na plumagem deverăo ser visíveis sem a necessidade de pegar o canário na măo. Bicos raspados, ou falta de penas, que săo uma evidęncia de terem sido retiradas, por possuírem manchas negras ou canelas.
Desclassificaçăo dos melânicos: Azuis, Verdes, cobres, Ágatas,Canelas e Isabelinos. As principais causas de desclassificaçăo săo: presença de penas brancas em qalquer parte do corpo, falta de penas na cabeça, asas ou cauda, o que leva a crer que foram retiradas para ocultar penas ou manchas brancas.
Causas gerais de desclassificaçăo: amputaçőes das unhas ou dedos, tumuraçőes, verrugas, falta de penas na cabeça, asas e cauda, mais de um anel, canário muito quietos ou aparentemente doentes.
O tamanho do exemplar deverá estar entre 13 a 15 cm. Pássaros pequenos ou excessivamente grandes sofrerăo perda de pontuaçăo.
A plumagem deverá ser aderente ao corpo e sem falhas. Penas tortas, cauda aberta ou larga e plumagem com buracos săo causas de menor pontuaçăo.
Elegância: o pássaro deverá ter uma postura tranqüilae bonita sobre os poleiros. Perdem pontos aqueles que se apresentem muito ariscos, batem contiuamente as asas, gordos demais, o que provoca a caída do peito, pernas muito abertas e má posiçăo sobre o poleiro.
Na forma, (que exerce `a primeira vista, grande influęncia sobre o juiz) săo defeitos graves: cabeça fina ou achatada, bico comprido, dedos estirados, patas grandes, unhas tortas, peito largo ou caído, asas cruzadas ou caídas.
Em apresentaçăo perde pontos o pássaro sujo, mal preparado, com escamas nas patas e dedos, e bico sujo ou com rebarbas.
Diminuiçăo de pontos dos canários lipocromos (linha clara): Em se tratando do Branco Dominante, as incrustaçőes amarelas acentuadas.
No Branco Recessivo o lipocromo recebe sempre pontuaçăo máxima.
Nos vermelhos a diminuiçăo de pontos é atribuída ŕ má distribuiçăo do lipocromo vermelho; schimel nos canários intensos, muita névoa nos nevados e excesso ou falta de branco ou vermelho, nas áreas índice dos mosaicos.
Os canários melânicos tem como causa de perda de pontos, defeitos nas melaninas e no lipocromo, ou cor de fundo, a saber:
No caso do Azul, Cobre e Verde, a má distribuiçăo do lipocromo branco, vermelho ou amarelo. Incrustaçőes amarelas muito fortes nas asas, cauda ou ombro dos Azuis. Há também diminuiçăo de pontos em relaçăo ŕs melaninas, quando as unhas, bico e patas sejam claras, e grande concentraçăo de canela no dorso e flancos, ou diluiçăo melânica.
Com relaçăo aos Ágatas, (prateados, amarelos ou vermelhos) a má distribuiçăo do lipocromo branco, amarelo ou vermelho provoca a perda de pontos, bem como incrustaçőes amarelas acentuadas nos Ágatas Prateados. Quando as melaninas săo mal distribuídas, com pouco diluiçăo, muita melanina canela no dorso ou asas, unhas, pés e bico escuros, haverá diminuiçăo de pontos.
Os canelas (Prateados, Amarelos e Vermelhos) perderăo pontos, quando se verificar uma má distribuiçăo do lipocromo branco, amarelo ou vermelho, e fortes incrustaçőes amarelas nas asas e encontros dos canelas prateados. Falta ou excesso de canela, má distribuiçăo da melanina. Diluiçăo da melanina, que o fará parecer um Isabelino.
Os Isabelinos, (Prateados, Amarelos e Vermelhos) igualmente sofrerăo perda de pontos, quando năo for perfeita a distribuiçăo da melanina, má distribuiçăo do lipocromo branco, amarelo ou vermelho, e muita incrustaçăo amarela nas asas e ombros dos prateados.
Pouca diluiçăo das melaninas, estrias nos flancos, excesso de marrom no dorso, cabeça ou peito, que o fera assemelhar-se a um Canela.
Estas săo as cores clássicas, e através de um perfeito domínio ou conhecimento de suas características próprias, poderemos facilmente identificar as cores novas, que tem como base todas as peculiaridade descritas neste artigo, juntando-se a elas os fatores superpostos, Pastel, Marfim, Opal, Satine e Feo, facilmente reconhecidos. Bem, mas isso é outra história, que fica para outra vez.

A categoria nos canários de cor

Revista da S.O.S. – 2006


Chamamos em canaricultura de "categoria" a expressăo dos lipocromos (cor de fundo) de acordo com a sua disposiçăo nas penas.
Os canários tęm como particularidade, a capacidade de depositar os lipocromos de forma diferente na superfície das penas, tendo esta característica conseqüęncias diversas de acordo com cada caso.
Nos casos dos pássaros em que o lipocromo é depositado até a borda das penas, eles săo chamados de "intensos".
Os canários chamados de "nevados", depositam lipocromo na quase totalidade das penas, deixando apenas uma "banda" na borda das penas de cor branca (sem pigmentos) que confere um visual de fina escamaçăo no fundo amarelo ou vermelho. Esse visual levemente escamado de branco, como se uma leve camada de neve tivesse caído nas suas costas, deu o nome a estes exemplares.
Existem finalmente os canários chamados de "mosaicos" que depositam lipocromo numa fina banda das penas, sendo o resto da área das mesmas isenta de cor de fundo, portanto branca. Estes exemplares tęm como característica, uma proporçăo diferente de lipocromo e borda branca das penas, dependendo da regiăo onde essas penas se encontram. Assim, no dorso, peito e flancos, as penas apresentam pouca expressăo de lipocromo e muito branco. Já nos ombros, uropígio e na face dos machos, as penas apresentam maior quantidade de lipocromo e pouca ou nenhuma borda branca.
Nos canários de fundo branco ou branco dominante, devido ŕs penas năo apresentarem lipocromo, năo existe a classificaçăo de intensos, nevados ou mosaicos, embora geneticamente esses exemplares pertençam a uma das categorias acima descritas.
O julgamento
A avaliaçăo da categoria dos canários de cor varia dependendo se eles forem lipocrômicos (linha clara) ou melânicos (linha escura) como segue:
Lipocrômicos: máximo 19 pontos Melânicos: máximo 9 pontos
Desprende-se desses valores a conclusăo obvia de que o nível de exigęncia de qualidade nos pássaros de linha escura será muito maior do que nos canários melânicos. A categoria tem, portanto, maior importância nos canários lipocrômicos do que nos melânicos.
O contraste é um elemento fundamental na avaliaçăo tanto dos nevados como dos mosaicos. Busca-se o branco o mais puro possível nos nevados e mosaicos, de forma que constituam um belo contraste com a cor de fundo.
Além da maior "tolerância" no que refere a qualidade da categoria nos exemplares melânicos, em muitos casos, a visualizaçăo da categoria fica comprometida pela própria presença das melaninas. Sabido é que as feomelaninas se depositam preferencialmente na borda das penas dificultando assim a nítida visualizaçăo da "banda" branca dos nevados. Resulta, portanto muito difícil de visualizar o nevadismo dos canários feos e canelas pastéis em funçăo da presença de feomelanina nesses pássaros.
Nos canários intensos, busca-se a distribuiçăo de lipocromo em toda a extensăo das penas, de tal forma que năo exista qualquer vestígio de branco nas bordas das mesmas. A presença de escamaçăo nas bordas das penas dos canários intensos é chamada de "schimell" e deverá ser penalizada. Exemplares intensos filhos de mosaicos acostumam apresentar uma forte carga de schimell e até chegam a ser confundidos com canários nevados. Os intensos com forte presença de schimell, săo exemplares que mostram um "nevadismo" muito curto, porém muito mal distribuído, com forte concentraçăo no pescoço, cloaca, bochechas e em volta do bico. Esses exemplares deverăo ser desclassificados quando apresentados como nevados.
Nos canários nevados valoriza-se a presença de escamaçăo curta, bem distribuída e o mais branca possível em contraste com a cor de fundo. Um grande desafio para os criadores desta cor, é conseguir que o nevadismo seja bem curto, porém presente no peito e sem concentraçőes principalmente no pescoço.
Os canários mosaicos apresentam um desenho característico e bem diferenciado entre machos e fęmeas, razăo pela qual ambos os sexos săo julgados por separado. Os machos devem apresentar uma máscara ampla, bem delimitada, de cor intensa, enquanto as fęmeas apenas apresentam um traço de lipocromo na altura dos olhos. Do ponto de vista de seleçăo genética, esta diferenciaçăo nos leva a trabalharmos planteis diferentes para produzirem machos ou fęmeas de qualidade para os concursos. Será praticamente impossível, por exemplo, que o macho e a fęmea vermelhos mosaicos campeőes Brasileiros possam chegar a dar exemplares campeőes. O macho por ter uma máscara muito ampla, năo produzirá filhas fęmeas com apenas um traço de lipocromo na altura dos olhos. Já a fęmea campeă Brasileira, năo transmitirá uma máscara ampla e definida para os filhos machos.
Procura-se, portanto em matéria de acasalamentos e seleçăo genética, o cruzamento de canários intensos de excelente expressăo lipocrômica e descendentes de bons nevados, com canários nevados de características o mais perto do padrăo possíveis.
Quanto aos mosaicos, conforme acima explicado, aconselha-se trabalhar com linhas próprias para fazer machos (as fęmeas muito brancas, porém com bastante máscara) e linhas próprias para fazer fęmeas (os machos o mais branco possível, com muita intensidade de lipocromo no ombro e máscara o mais reduzida possível, porém bem intensa)
Aproveito para enviar um caloroso abraço aos amigos criadores da SOS, desejando muito sucesso nos concursos

sábado, 3 de outubro de 2009

O FUNGO DE UNHA
(Matéria publicada na Revista Brasil Ornitológico nº 33)



Muitos criadores de canários já tiveram a desilusão de ver um potencial campeão, aquele canário que se destacava na cor, de repente imprestável. Muitos juízes já tiveram o desprazer de desclassificar belos pássaros pela mesma razão. Já julguei exposições de canários onde mais de 10% dos pássaros foram desclassificados por serem portadores de micose em dedos. Já vi fungos de unhas em pássaros de quase todo o Brasil mas não nas proporções que ocorrem em Santa Catarina. O fato deve estar relacionado às condições climáticas, principalmente à umidade relativa do ar. Uma consistente observação a favor desta hipótese é que a doença é mais comum nas cidades próximas de rios e do mar. É mais freqüente no fim do verão e no outono, mas nesta época, a superpopulação nos criadouros é grande. É provável que a doença seja transmissível, pois é comum vários pássaros de um mesmo gaiolão estarem contaminados.
Manifestações Clínicas
A doença é de difícil reconhecimento nas suas fases iniciais porque o pássaro afetado só levanta a pata doente nas fases adiantadas, quando a unha geralmente está irremediavelmente perdida. O início, por vezes, é caracterizado por lesões brancas ou amarelas ou engrossa-mento da ponta do dedo comprometido, fatos comuns a outras doenças das patas de canários. Geralmente o que caracteriza o quadro é a presença de uma lesão que se inicia dentro da matriz da unha e, em poucos dias, recobre toda a unha. Neste estágio a unha já está morta e não observa-se o filete sangüíneo que a nutre. A lesão não se destaca em alguns casos, pode haver contaminação secundária resultando em septicemia e morte do pássaro. As fotos mostram a doença em seus estágios avançados.
Diagnóstico Laboratorial
O diagnóstico de laboratório é difícil, pelo alto custo dos exames e por não dispormos em nosso meio de laboratórios com prática em micologia ornitológica. Por analogia com o que praticamos no diagnóstico etiológico das onicomicoses humanas, enviamos para exames micológicos, microscopia e cultura, raspado de unhas de canários doentes. Todas as amostras tiveram resultado negativo, isto é, os fungos não eram encontrados na superfície das lesões. Decidimos, então, enviar para exame histológico de dedos amputados. Como os resultados foram interessantes, serviram de motivação para que, embora reconhecendo nossas limitações, escrevêssemos este artigo. O estudo das lâminas coradas pela técnica de hematoxilinaeosina e pela técnica de Grocott (pesquisa de fungos através de impregnação pela prata), mostrou processo inflamatório crônico com edema, extasia e congestão de vasos sanguíneos e a presença de formas fúngicas em hifas curtas e blastosporos, sugestivas de Tinea verrucosum que acomete seres humanos provocando lesões verrugosas. Outra característica marcante é a ausência do filete vasculo-nervoso que nutre a unha. Caso o problema persista em nosso criadouro, vamos tentar a cultura do fungo na matriz do dedo amputado onde se encontra o principal foco.
Tratamento
Quando percebemos a lesão verrucosa recobrindo a unha, geralmente não há tratamento eficaz que recupere o dedo. Os cremes e pomadas a base de imidazólicos são pouco eficientes, pois nao alcançam os fungos que estão localizados na matriz da unha. Os que alcançam melhores resultados são a base de oxiconazol (oceral) e bifonazol (mycospor). Os esmaltes para uso humano, com alta concentração do princípio ativo, como o tralem para unhas e o loceryl, pelas mesmas razões, também apresentam eficácia reduzida. O tratamento local que apresenta melhores resultados, embora cause espanto, é a imersão da pata afetada em ácido sulfúrico a 50% por 20 a 30 segundos, seguidos de lavagem em água corrente. Este procedimento é inócuo, não restitua o aspecto normal da unha, mas impede sua evolução. Nas onicomicoses humanas, várias drogas usadas por via oral são eficazes no tratamento da doença como os imidazólicos (cetoconazol, fluconazol e itraconazol), a griseofulvina e a terbinafina quando usados por meses. Nos canários, como não conhecemos o metabolismo destes medicamentos (absorção, níveis sanguíneos, metabolização, concentração em tecidos queratinizados como pele e unhas e vias de excreção), torna-se difícil determinar corretamente as dosagens e o tempo de uso. Já experimentamos usar em nossos canários e cetoconazol (cetonax, nizoral, etc.) n dose de 1 gr., 5 comprimidos triturados, e o itraconazol (sporanox, itranax) 4 cápsulas de 100 mg por kg de farinhada seca, por pelo menos 3 meses. Os resultados curativos forma muito pobres, mas algumas unhas onde a doença estava nos estágios iniciais recuperaram o aspecto normal. É importante ressaltar, que a incidência de novos casos no plantel diminuiu bastante, tendo o medicamento agido preventivamente.
Profilaxia
Algumas medidas simples, embora trabalhosas, são eficientes na prevenção de casos novos. Todas são do conhecimento dos criadores, mas muitas vezes, negligenciadas.
a) Criadouro seco, arejado, limpo, ensolarado e sem superpopulação. Lembramos que o número máximo de canários por metro cúbico de volume do criadouro é cinco.
b) Plantel sadio. Todas as aves que apresentarem o problema devem ser submetidas a isolamento e tratamento, ou amputação da parte afetada. Recomendamos a desinfecção do dedo com iodo e a amputação com bisturi ou faca aquecidos até ficarem vermelhos e nova desinfecção. O calor do instrumento promove a hemostasia. Quando ocorrer sangramento, usamos hemosthal ou uma gota de superbonder. Um procedimento prático é a utilização de instrumento para fazer gravuras me madeiras, o "pirógrafo". A extremidade metálica funciona como termocautério.
c) revisar periodicamente as patas dos pássaros, lavando com pinho sol ou outro desinfetante.
d) Poleiros. Pensamos que aí está o principal ponto de contaminação das unhas. Devem ser limpos a cada 2 a 3 semanas. Os poleiros de plástico são bem mais práticos para limpeza, além de não reterem tanta umidade.
e) Grades. Local onde o canário mais coloca as patas depois dos poleiros. Devem ser trocadas pelo menos 1 vez por semana. As grades sujas são imersas por 24 a 48 horas em água com detergente, para amolecimento das fezes, e limpas com escovas ou máquina de jato d'água sob pressão. Feito isto, devem ser novamente imersas em água com cloro, formol, iodóforos ou sais quaternários de amônia por mais 24 horas e, secas ao sol.
f) Alimentação de boa qualidade.
Por último, quando o problema é muito importante, podem-se usar preventivamente os antifúngicos orais por tempo prolongado para controlar a doença. É necessário que os criadores e clubes ornitológicos conscientizem-se da importância dos serviços profissionais de médicos veterinários. Embora existam poucos especialistas em pássaros ornamentais, é imprescindível o apoio destes para melhorarmos a saúde do nosso plantel, e só depende de nós, os principais interessados na saúde dos nossos passarinhos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ALIMENTOS EXCITANTES
Giorgio de Baseggio - Itália
Pode acontecer que certos pássaros, por descondicionamento, erro alimentar ou outras causas individuais, não atinjam a perfeita forma amorosa.
Nestes casos é necessário se individualizar, quando possível, a causa desta deficiência amorosa. Se o exemplar aparenta-se saudável, pode-se tentar a administração de "alimentos estimulantes", estes são:
-Sementes: Cânhamo, niger, cominho, anis, sementes silvestres de várias espécies, semente de erva-doce;
-Vermelho do ovo: cozido em banho Maria;
-Cantáridas em solução aquosa;
-Vitaminas A-D3-E.
As sementes citadas, todas ou em parte, podem ser administradas em recipientes, separados até que o exemplar chegue à forma amorosa (convém também a administração de diversas sementes de plantadas silvestres); as sementes comuns da mistura, como niger, cânhamo, podem também ser aumentadas. Todas as sementes devem ser frescas, integras e sem pó.
O vermelho do ovo, que contém a lecitina que tem ação afrodisíaca, pode ser administrado misturado a biscoito triturado; uma quantidade tripla deste e uma gema (o total deve ser consumido em cerca de duas horas, pois de outro modo poderá alterar e tornar-se nocivo, principalmente se em temperatura e umidade elevadas); pode-se administrar em dias alternados por uma semana, evitando-se com cuidado o fornecimento dele envelhecido ou rançoso, o que levaria distúrbios hepáticos (além disso, depois de duas horas em contato com o farinhado de biscoito ou de qualquer outra farinha, começam a formar-se fungos invisíveis a olho nu que provocam graves distúrbios intestinais, etc.).
O Niger Guizotia abyssinica ou oleifera), planta anual da família das Compostos, originária da Abssínia, extensamente cultivada na Índia, onde é chamada de Ramtil (na África Neuk), nos países quentes (essencialmente em certas zonas da Itália meridional) dá muitas sementes ricas em óleo e proteínas que têm também uma ação afrodisíaca. Igualmente se pode dizer para as sementes de cânhamo, porém estas últimas são menos digeríveis que o niger. Em todo caso, estas e todas as outras sementes devem ser frescas, integras, isentas de impurezas e de pó; caso contrário, sobretudo se não íntegras, ficam com óleo rançoso extremamente tóxico (presença de "peróxidos") e com ação antivitaminica. Isto vale para todas as sementes oleosas.
A cantárida (cantharis obscura ou Lyssa vescicatoria) é um inseto coleóptero de cor verde-metálico e de odor desagradável; do pó de algumas partes do seu corpo se obtém uma droga, chamada "cantárida", cujo princípio ativo, dito "cantaridina", tem a propriedade revulsiva e afrodisíaca. A droga em pó, que pode ser adquirida em farmácias, é dissolvida em água quente (solução 1 para 1000; ou seja, 1 grama para 1 litro d'água); a solução, obviamente fria, é adicionada na água de beber, na dose de uma colher das de café para cada 100 ml; a cada dia, por ex: às 8 horas, traça-se a água do dia precedente, colocando-se nova colher da solução de cantárida em nova água (todas as soluções, além de 24 horas, podem tornar nociva); o tratamento varia de 5 a 10 dias porém, não deve superar 7 dias de administração na maioria dos casos. A utilização da cantárida torna-se necessária somente para os sujeitos sãos que não têm reagido aos outros alimentos afrodisíacos naturais mencionados ou ao tratamento à base de soluções aquosas de suplementos vitamínicos abaixo indicados. É importante não exceder em todos os alimentos afrodisíacos, quer para se evitar distúrbios no fígado e baço, quer para impedir uma excitação amorosa excessiva; neste caso os machos, muito estimulados, realizam cópulas muito rápidas com conseqüente dificuldade de fecundação da fêmea; esta última, ao contrário, se muito excitada, procura excessivamente as cúpulas e isto pode levar diversos fatos negativos (ausência ou mal construção do ninho, muitos ovos postos fora do ninho e, assim, com fácil rotura da casca, depois de poucos dias da postura, abandono dos ovos na procura de nova cópulas, à miúde ovos não "gelados", etc.). Os suplementos vitamínicos, líquidos ou em pó solúvel, à base de vitamina A- D3-E (evitar a administração da vitamina E sozinha, como aconselham muitos autores e criadores, devido que doses elevadas dela somente levam a danosos desequilíbrios de todos os fatores vitamínicos do organismo), disponíveis no comércio, seja para uso humano, seja para uso veterinário (geralmente 3 a 8 gotas em um bebedouro de 100 ml, renovada a solução a cada 24 horas, por 4 a 8 dias seguidos; repetir, se necessário, o tratamento depois de 8 a 10 dias), freqüentemente colocam em boas condições amorosas os exemplares "tardios". Em geral se pode dizer que os sujeitos sãos, bem alimentados e adequadamente alojados entram espontaneamente em amor, quando a quantidade e duração da luminosidade se faz mais intensa (primavera-verão) e a temperatura torna-se mais quente. Nas hibridações pode se regular antecipando ou retardando a forma amorosa. Para os sujeitos que se cansam ao entra em amor se administra preferivelmente os alimentos naturais supra indicados (semente varias, sementes condicionadoras, niger, cânhamo, sementes de reseda luteola, vermelho do ovo) durante um certo período, ao mesmo tempo, ou a seguir, administra-se soluções aquosas de vitaminas A, D3 e E e apropriadas para um bom funcionamento das gônadas e para a fertilidade dos espermatozóides e do ovo.Só excepcionalmente se recorre as cantáridas. Evitar a administração de substancias hormonais, difíceis de dosar-se para os pequenos organismos dos pássaros e ser muito perigosa, já que uma mínima quantidade em excesso descondiciona todo o sistema hormonal com conseqüentes mal estar, atrofia das gônadas e esterilidade que, em alguns casos, como já aconteceu em alguns criadouros, podem tornar-se fatais. Para facilitar a forma amorosa pode-se também agir de uma das duas seguintes maneiras:
A)Colocar o casal próximo a um macho (geralmente da mesma espécie da fêmea) em pleno canto (mas de modo que não possa ser visto, para evitar que a fêmea passe a não aceitar o macho destinado);
B) Fazer "sentir" o canto de um macho fortemente em amor, apresentado com ótima qualidade de gravação.
Acasalamentos de canários ligados ao sexo

Os Satinés, os Pasteis e os Marfins, são ligados ao sexo, isto é, apenas o macho dá características à descendência, sendo que as fêmeas são neutras, nunca portando o factor,elas são puras ou normais(não temos fêmeas portadoras). Acasalando estes exemplares temos os seguintes resultados:

Macho Puro x Femea Pura =Machos e Fêmeas Puros

Macho Puro x Femea Normal =Machos Portadores e Fêmeas Puras

Macho Normal x Femea Pura =Machos Portadores e Fêmeas Normais

Macho Portador x Femea Pura = Machos Puros, Machos Portadores, Fêmeas Puras e Fêmeas Normais
Macho Portador x Femea Normal = Machos Normais, Machos Portadores, Fêmeas Puras e Fêmeas Normais

Destes acasalamentos se depreende que, se acasalarmos um macho Satiné, Pastel ou Marfim com fêmeas puras ou normais da mesma linha, obteremos filhotes conforme os acasalamentos acima apresentados.

AS RAÇAS CASTANHA, AGATA E ISABEL SÃO LIGADAS AO SEXO.

Canários com duplo factor

Os Brancos, Opalas e Inos são canários de duplo factor, isto é, tanto o macho como a fêmea têm que ser puros ou portadores do factor para gerarem filhotes conforme os seguintes esquemas:

Macho Puro x Femea Pura = Machos e Fêmeas Puros

Macho Puro x Femea Normal =Machos e Fêmeas Portadores

Macho Normal x Femea Pura = Machos e Fêmeas Portadores

Macho Portador x Femea Pura = Machos Puros, Machos Portadores, Fêmeas Puras e Fêmeas Portadoras

Macho Portador x Femea Normal = Machos Normais e Machos Portadores, Fêmeas Normais e Fêmeas Portadoras

Macho Puro x Femea Portadora = Machos e Fêmeas Puros, Machos e Fêmeas Portadores

Macho Portador x Femea Portadora =Machos e Fêmeas Portadores, Machos e Fêmeas Puros e Machos e Fêmeas Normais

Macho Normal x Femea Portadora = Machos e Fêmeas Portadores, Machos e Fêmeas Normais

Deste Esquema se depreende que, se acasalarmos um Macho portadores de Branco, Opala ou Ino,com Fêmeas puras, normais ou portadoras da mesma linha, obteremos filhotes conforme o esquema acima apresentado.

Ágata Topázio