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terça-feira, 10 de agosto de 2010

CUIDANDO DOS REPRODUTORES

CUIDANDO DOS REPRODUTORES
... E DOS PÁSSAROS DE CONCURSO
Antonio Celso Ramalho
Lendo o artigo “Manejo de Reprodutores – Novos Métodos” de autoria do companheiro Newton Martelotta, publicado no Boletim nro 9 da OBJO, achamos oportuno tecer maus alguns comentários sobre o confinamento de reprodutores em gaiolőes.
Estamos de pleno acordo que esse procedimento năo é ideal, mesmo que o número de pássaros seja compatível com o espaço livre da voadeira.
Na realidade a maioria dos criadores maneja incorretamente os reprodutores no estágio final da temporada de cria, direcionando a manipulaçăo aos filhotes obtidos. Assim, os canários adultos săo levados ŕs voadeiras sem quaisquer cuidados, exatamente quando estăo mais debilitados pelo estresse natural da estaçăo de cria e em início da muda de penas.
Todo criador mais atento já observou que, numa comunidade, alguns pássaros, graças as suas melhores condiçőes físicas e/ou pelo seu “temperamento”, passam a atacar constantemente outros, mais fracos ou “dóceis”, que além de traumatizados fisicamente năo conseguem alimentar-se adequadamente e, na maioria das vezes, acabam sucumbindo. Os pássaros com esse tipo de comportamento săo chamados pelos europeus de “dominadores” e “dominados”.
Esse fato é mais dramático entre os machos adultos, especialmente durante a fase final da muda de penas, quando alguns que já estăo mais adiantados e mais fortes, dominam os mais fracos na competiçăo pela alimentaçăo e espaços no gaiolăo. Inclusive, entre canários adultos, é comum observar-se que os machos dominados chegam mesmo a ser subjugados sexualmente e acabam desenvolvendo modificaçőes do comportamento sexual, tornando-se, freqüentemente, improdutivos quando acasalados.
Entre os filhotes também observa-se o comportamento dominador-dominado e, a simples intervençăo do criador, separando em tempo o pássaro dominado, propiciando-lhe tranqüilidade e alimentaçăo adequada, na maioria das vezes, constitui medida suficiente para a sua recuperaçăo.
A nossa experięncia como criador e expositor, tem mostrado que os filhotes individualizados precocemente, por traumatismos ou debilidade, acabam năo só se recuperando, mas também se destacando pelo seu desenvolvimento e qualidade de empenaçăo. Se o pássaro possuir entăo qualidades potenciais, esse procedimento evidenciará, sem dúvida alguma, todo o seu padrăo.
Sabemos entretanto que mesmo numa criaçăo de pequeno porte é praticamente inviável a individualizaçăo de todos os pássaros, principalmente por problemas de espaço. Assim, é difícil prescindir o uso de voadeiras, mas alguns cuidados precisam ser tomados, além daqueles assinalados pelo Martelotta.
Os pássaros adultos devem ser cuidadosamente examinados para avaliaçăo do seu estado geral, decidindo-se entăo a forma mais conveniente de aloja-los. Deve-se proceder a limpeza dos pés e o corte das unhas, pois temos observado que os problemas dos pés, provavelmente por causarem dor, deixam os pássaros estressados, indispondo-os para a alimentaçăo, resultando muitas vezes, na porta de entrada para a instalaçăo de diversas patologias com maior comprometimento ainda do seu estado físico. Nessa ocasiăo deve-se também realizar tratamento preventivo ou curativo dos problemas respiratórios e pulverizaçăo contra ácaros (e parasitários).
Os pássaros devem ser alojados de forma que os mais “fracos” năo permaneçam junto com os mais “fortes”,reservando-se a individualizaçăo para aqueles que inspirem maiores cuidados.
O uso de poleiros individuais evitam a bicagem o que, especialmente entre os mosaicos, é de fundamental importância e, se o número de indivíduos for adequado ŕ área da voadeira, os pássaros, além do espaço necessário para as suas atividades, conseguirăo manter-se tranqüilos, năo sendo constantemente importunados pelos seus vizinhos.
Os filhotes também podem ser alojados inicialmente em voadeiras, observando-se a idade e/ou o estado físico dos mesmos. No início da muda de penas devem ser transferidos para gaiolas de cria, procurando-se alojar no máximo quatro espécimes por gaiolas, considerando sistematicamente os critérios já discutidos.
Dessa forma, mesmo a rápida inspeçăo diária, permitirá identificar os pássaros que estăo com problemas, os quais devem ser individualizados para a competente atençăo.
Se o criador possuir gaiolas individuais, tipo exposiçăo, poderá iniciar a separaçăo dos melhores pássaros destinados aos concursos. Senăo, poderá utilizar as próprias gaiolas de criaçăo providas de grade de separaçăo, alojando um pássaro de cada lado, tomando entretanto o cuidado de dispor os poleiros de tal forma que evitam danificar as penas da cauda pelo roçamento constante contra as barras das gaiolas.
Evidentemente, essas medidas săo do conhecimento da maioria dos criadores, que infelizmente as negligenciam.
Por essa razăo voltamos a destaca-las e, quem sabe, com a sua aplicaçăo, muitos criadores possam substituir o desânimo comum da época da muda de penas pela satisfaçăo em acompanhar o desenvolvimento sadio do seu plantel.
Revista SOV 98

Ágata Topázio